Vinho. Prazer e saber.

Partindo do pressuposto de que quem bebe vinho o faz porque gosta, chegamos facilmente à conclusão de que beber vinho é só mais uma forma – dentre tantas outras – de se obter prazer. Sem dúvida!

Entretanto, a partir do momento em que o interesse pelo vinho começa a extrapolar o simples fato de se estar bebendo algo saboroso e que vai proporcionar uma agradável sensação de relaxamento e bem-estar, a coisa começa a mudar um pouco de figura… e para melhor.

Analisando apenas pela ótica do prazer, uma taça de Sangue de Boi pode causar o mesmo frisson, ou até maior, do que a de um 1er Cru Classé de Bordeaux, por exemplo. Nada de errado nisso… afinal de contas, a qualidade do vinho não está necessariamente ligada ao prazer que ele pode proporcionar. Tudo depende de quem o está bebendo e em que circunstâncias o faz.

Gostar, ou não, é uma questão estritamente subjetiva. No entanto, quando resolvemos ir além do simples e puro hedonismo e entramos no mérito do porquê; da necessidade de se compreender os fatos que fizeram com que aquele vinho se apresentasse daquela forma, naquele momento; certamente o segundo tem muito mais coisas a nos dizer.

Meu exemplo cita, popositadamente, vinhos que (fora o fato de serem fruto da fermentação do sumo da uva) não tem absolutamente nada em comum. E a diferença básica diz respeito justamente à matéria prima com a qual os mesmos são elaborados: a uva.

O primeiro é fruto da fermentação de uvas não viníferas. O segundo, por sua vez, de uvas viníferas – assim como todos os demais vinhos ditos finos. Vou me ater somente a estes, ao redor dos quais orbita todo um mar de informações que podem tornar muito mais rica e interessante a já prazerosa experiência de se beber vinho.

post_winePaís de origem, região produtora, uva(s) utilizada(s), safra e teor alcoólico, são algumas das informações básicas que podemos encontrar numa garrafa de vinho. Geralmente elas constam do rótulo e/ou contra-rótulo e, com um pouco de conhecimento, já podem nos dar alguma pista do que vamos encontrar ali dentro.

Se quisermos nos aprofundar um pouco, podemos buscar informações sobre o vinhedo (orientação, altitude, tipo de solo, idade das vinhas, rendimento por hectare, etc.) e sobre a vinificação (em que circuntâncias é feita a fermentação, se o vinho estagia em madeira, o tempo de estágio, tipo de madeira utilizada, etc.).

Com isso já poderíamos tentar, por exemplo, estimar um potencial de guarda para o vinho. Mas não pára por aí. Podemos ainda situar o vinho dentro de todo um contexto histórico-social, que pode nos render uma interessantíssima “aula” sobre o tema. Todas essas informações poderiam ser chamadas de “permanentes”, já que serão sempre as mesmas para todas as garrafas de um mesmo vinho, independendo do “quando” e do “onde”.

Porém, existem informações que vão variar no espaço e no tempo, de garrafa para garrafa, tais como: condições de armazenamento a que o vinho foi submetido e estágio de evolução em que ele se encontra (estas duas estão intimamente relacionadas, diga-se de passagem). Informações fundamentais para que entendamos e possamos avaliar da maneira mais correta o que estamos bebendo.

(…)

Como podemos ver, o universo de informações é enorme. Quanto mais nos inteirarmos delas mais estaremos aptos a compreender e apreciar – de forma mais crítica e consciente – aquilo que vamos beber, ou seja, aproveitar ao máximo tudo o que uma garrafa de vinho aberta tem a nos oferecer.

Nada contra quem bebe pelo simples prazer de beber (dependendo da ocasião, nada melhor!). Mas, sempre que possível, por que não dar uma folheada no “pequeno livro” que toda garrafa de vinho traz dentro de si. Nesses tempos de fácil acesso à informação é só querer.

Pra quem gosta daquele “algo mais” é um prato cheio; ou melhor, uma taça, de preferência, não muito cheia. Tim-tim!

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Este texto foi postado no dia 01/04/2009 às 14:00 nas categorias: Blog, Destaques, Habitat. Acompanhe os comentários sobre este post utilizando RSS 2.0 feed. Você pode prosseguir para o final do post e deixar seu comentário. Pingings fechados no momento.

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