Uma bobagem chamada Twitter.
Postado por Marcius Teixeira no dia 05/06/2009 em : Blog, Crítica, Destaques, Tecnologia
Chega a ser ridículo (até mesmo um contra-senso) que, em tempos de “banda-verdadeiramente-larga” e da alta qualidade nos formatos de vídeo, áudio e imagem digitais disponíveis, uma ferramenta boboca como o twitter faça tanto sucesso na Internet.
Tal fato, se não afirma a superficialidade das relações humanas na atualidade, pelo menos evidencia a estupidez dos quase 2.500.000 / 3.700.000 / 5.000.000 / 14.500.000 (sei lá, ninguém realmente sabe!) de usuários espalhados pelo planeta.
Melhor dizendo: compila todo intelecto de cada usuário dentro dos 140 caracteres materializantes de seus peidos mentais.
– Tristes tempos em que o pensamento se reduziu a um assobio.
(…)
Como profissional da web desde 1996, preciso dizer o seguinte: Na internet, o que não falta são excelentes opções como ferramentas para a expressão pessoal, artística, acadêmica e intelectual. Blogs, magazines, comunidades específicas (sobre os mais variados temas), grandes portais de conteúdo, etc.
O que também não falta é o acesso a informações qualificadas, acervo histórico de bibliotecas e universidades reputadas, artigos científicos e jornalismo comprometido com a verdade. Qualquer pessoa empenhada em crescer, evoluir, se melhorar como ser-humano (tanto do ponto de vista social quanto ontológico), consegue alcançar este objetivo simplesmente se dedicando: nunca foi tão fácil (e democrático) o acesso à informação.
Está tudo lá, disponível… o que ilustra com simplicidade que a internet pode (e precisa!) ser utilizada para assuntos e temas substanciais, visando a real construção ou materialização de algo realmente positivo… ou simplesmente como ferramenta para ajudar alguém (essa é a essência do termo relacionamento).
Daí a pergunta: – Para que serve uma ferramenta de relacionamento digital?
– No caso do twitter (avaliando a sua real utilização e não seu alcance e potencialidades), para nada!
Quem entende as urgências do tempo em que vivemos (o perecimentos das religiões, o detrimento da sexualidade, a ausência da amizade pura e sincera – livre de interesses ou aparências – a inversão e distorção dos valores morais, a prática diária da falsidade e da perversidade na vida cotidiana, etc.) percebe o quanto essa bobagem chamada twitter reflete o vácuo intelectual estabelecido no atual mundo globalizado comunista socialista; ampliando consideravelmente o espaço para a celebração da futilidade e da estupidez.
O “eu tenho isso, eu tenho aquilo… eu comi ela, eu dei pra ele…” valem muito mais que a coerência e a produtividade.
O “legal” é se interessar por nada. Ou melhor, por si próprio… dar importância ao ato de comer beringela no almoço, tomar banho com o novo Dove Soft-Hair, ficar histérica pela nova chapinha ou pelo novo iPhone/iPod adquirido…
O twitter é o grande meio de expressão dos “mudernos” e das “zélites”… o mais acessado em todo mundo, o mais “lido” e o mais utilizado.
No Brasil então a coisa é assustadora: ainda que seja “coisa de paulista” – como todo bom carioca não hesita em afirmar – periga o “Blue Bird” estabelecer o seu maior ninho por aqui. São centenas de novos usuários por dia (ou mais, ninguém sabe, ninguém sabe!)… trocando, com os milhões de usuários já existentes, fofoquinhas, ofensas, tolices, viadagens… num exibicionismo puro, que só não ultrapassa o Orkut ou o Facebook pela natureza de sua tecnologia.
(…)
Falando em tecnologia, o mais irônico é que esse agregador de bosta intelectual tenha sido criado com a framework mais fantástica de desenvolvimento da história da web, o Ruby on Rails.
Criado para produzir e estimular o crescimento de uma web ecologicamente correta, primando pela qualidade e criterização na produção de conteúdo; além de uma sistemática coerente (orgânica) na catalogação e digitalização do conhecimento humano (pois só se trata disso, não é mesmo?), o primeiro grande tiro do Ruby saiu (literalmente) pela culatra, produzindo o segundo grande vilão da web 2.0.
…
“Há quem pense em matar pra não morrer”, dizia o poeta… mas ainda tenho fé que, quando a poeira baixar, essa bobagem acabe esquecida e ridicularizada diante dos esforços das mentes mais brilhantes no verdadeiro “começo” da web, mobilizados e motivados para permitir que seus usuários encontrem o equilíbrio entre a velocidade do pensamento e a apreensibilidade real do idioma, proporcionando gradativamente um melhor aproveitamento do verdadeiro “espaço-infinito” do bit – o dna da informação.
PS. Seria injustiça e leviandade não comentar que existe um considerável número de pessoas utilizando ferramentas micro-blogging de forma sensata e produtiva; complementando as tecnologias de newsfeed – ampliando ainda mais o seu poder de alcance e instantaneidade.
PPS. A despeito das especulações sobre o real número de usuários do Twitter, vale conferir o seguinte artigo: How Many Users Does Twitter Have?
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Tags: Crítica, Reflexão, Tecnologia

Muito bom o texto. Tudo o que sempre quis dizer a respeito destes modismos idiotizantes.
Simplesmente perfeito!
Excelente texto!Parabéns!
É isso aí Julio… e temos mesmo que dizer. Toda crítica sincera e construtiva se faz mais do que necessária a respeito dos modismos.
Valeu CricoMax!
Faço das suas as minhas palavras!
Pena que essas pessoas não tem acesso a leituras como essas.