O papel da reflexão no discurso artístico.
Postado por Marcius Teixeira no dia 17/06/2009 em : Blog, Crítica, Destaques
A despeito da estupidez daqueles que elegeram Guilhermo Habacuc Vargas um artista e o permitiram participar de algumas influentes mostras de arte na América Latina, sou daqueles que acreditam que o verdadeiro papel da arte é o de simplesmente causar a reflexão do apreciador; com o objetivo principal de “transformá-lo”.
Só que, diferentemente do Sr. Vargas, acredito que a transformação causada deva ser sempre positiva, classificando assim (genuinamente) como Arte, o motivo que desencadeia tal processo reflexivo.
Em todo caso, refletir sobre os diferentes aspectos desta “transformação” já não é Arte e sim crítica de arte – o que direciona inevitavelmente qualquer conclusão à compreensão do “impacto” que a obra causa ao espectador, mas quase nunca sobre a verdadeira “intenção” do artista.
Óbvio que quando sua intenção é somente chocar o público, tal “obra” não adquire simplesmente o status de Arte. Pelo contrário: vira puro exibicionismo e ostentação de uma carência latente, muitas vezes afetiva ou sexual, onde o “chocar por chocar” só serve mesmo para identificar o espécime galináceo ao qual o “artista” pertence.
É claro que o conhecimento biográfico a seu respeito pode revelar bastante (ou completamente) o “segredo” por trás de sua obra; mas isso não nos aproxima da experiência criativa do artista e sim, somente, pode nos proporcionar a apreensibilidade do seu discurso.
Tal feito já é louvável… e, se a experiência não nos “transforma”, pelo menos prova a nossa capacidade de se sensibilizar com o “olhar” do outro – discernindo imediatamente sobre o que é ou não Arte.
É exatamente nisso que o bom espectador “trabalha” enquanto aprecia uma obra de arte: sendo crítico ao que vê e, posteriormente, reflexivo ao que intelige do discurso artístico.
(…)
Não esquecendo que todo artista é antes um homem (ainda que virtual), fica fácil compreender a ineficácia que tal discurso têm frente aos imbecis e ignorantes; o que nos dá a medida exata do quanto isso compromete não só o próprio estado da Arte, como também a cultura de toda uma sociedade.
Não estou dizendo que uma platéia formada por imbecis torna (ou pode tornar) a exposição imbecil; mas sim, constatando, que a sua compreensão (seja emocional, seja racional) depende diretamente do grau de estupidez de quem a contempla.
A discussão é longa e complexa, bem sei. Complica ainda mais, quando se entende que toda e qualquer crítica estará sempre amparada (fundamentada) na boa compreensão e no domínio do idioma sobre o qual se versa o raciocínio (a apreciação); nivelando a qualidade do que se “vê” à ignorância do que escapa ao “olhar”.
Esta fórmula também se aplica ao artista: Um imbecil fazendo arte, produz uma arte imbecil.
Na ilusão de que possuem a compreenssão do fenômeno sobre o qual raciocinam (o que, tratando-se de um imbecil seria um contra-senso!), pseudo-artistas como o Sr. Vargas, acreditam estar criando algo… quando só fazem tagarelar no vazio da imitação, simulando um posicionamento seguro a respeito daquilo que mal conseguem articular verbalmente; onde somente os subterfúgios dos formatos de comunicação da arte podem ocultar a farsa.
Ao matar um cachorro de fome em plena galeria de “arte”, mais do que expor sua putrefação cerebral em público, o Sr. Vargas, ilustrando a crueldade com um cartaz “eres lo que lees” (és aquilo que lê), nos atestou seu analfabetismo intrínseco imediatamente, justificando (ao menos em parte) tamanha bárbarie.
Diz um sábio provérbio árabe: “A ignorância é vizinha da maldade.” – Dito e feito!
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Um periódico não-jornalístico de grande sucesso na Internet, recentemente realizou uma pesquisa comprovando que 90% das pessoas não gostam (traduzindo: não conseguem!) ler artigos que tenham mais de 20 linhas. Não importa o assunto: Passou de 20 linhas é chato, não lhes interessa.
A ignorância é geral… ninguém, em nehuma outra época, soube “muito pouco sobre quase tudo” quanto os leitores contemporâneos que habitam o planeta. Esses “leitores” são os novos apreciadores consumidores de “arte”… inter-locutores de uma geração oca… sem idéias, sem criatividade ou lirismo. A superficialidade de suas vidas são intensamente retratadas numa “arte” insossa e cruel – como a praticada pelo Sr. Vargas.
O mais grave de todo este episódio fatídico é o fato de que os principais cúmplices do costa-riquenho Habacuc são pessoas letradas. Donde pode-se concluir: Estão distribuindo diplomas para assassinos na América Latina.
Dos curadores do evento (realizado na Nicarágua), passando pelo público que compareceu à exposição, até a gaguejante Ministra da Cultura da Costa Rica, Sra. María Elena Carballo, todos (sem exceção) são igualmente culpados pelo ocorrido. A irresponsabilidade de seus atos (ainda que atenuadas pelo analfabetismo crônico) estão denegrindo o estado da Arte em geral, depreciando seu significado e sentido.
Ocupando cargos que estão além de suas capacidades humanas, não entendo uma vírgula sobre o que lhes são atribuídos como responsabilidade, estes senhores do progresso regresso cultural latino-americano estão disseminando um formato de reflexão e senso-crítico tosco e doentio.
Não se trata de querer fazer aqui, em poucas linhas, tabula rasa de toda história social da arte e da literatura. Nem tampouco, reduzir toda magnitude dessa história à nossa pobre e pueril contemporaneidade artística setorial.
Minha intenção, é apenas salientar a degradação que o termo Arte vem sofrendo nos últimos 40 anos, sobretudo nos países latinos, diretamente afetados pela ideologia comunista socialista.
É preciso estar atento ao que está sendo chamado de Arte por esse “pessoalzinho” esnobe e ignóbil (mas não menos rico e poderoso).
Atestar sua ignorância (e consequentemente sua maldade) se faz extremamente necessário para que possamos nos distanciar de toda incoerência esquerdista, possibilitando o desenvolvimento de um senso crítico genuíno perante a reflexão sobre “a morte da arte”.
Agora, sem trocadilho: Matar em nome da Arte, ainda que seja para causar reflexão a respeito do assassinato ou mesmo da hipocrisia humana perante o sofrimento alheio (sobretudo o que escapa à nossa vista), pode ser considerado Arte? Ou antes: É lícito?
– Não creio. Para mim, continua sendo apenas assassinato e oportunismo!
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Horrores à parte, numa sociedade onde isso é permitido, é preciso resgatar o primado da Arte – o que se pode conseguir simplesmente lendo aquilo que (evidentemente) nunca foi lido a seu respeito.
– É preciso proibir a liberdade de expressão quando esta fere a primazia dos ideais que ela mesma vem assegurar!
Ser tolerante com o intolerável já não é mais tolerância e sim covardia, poltronice… laxismo ou fraqueza. E isso bem caracteriza nossa contemporaneidade e o povo apreciador consumidor das “obras de arte” nas sociedades as quais me refiro.
E você, sua besta quadrada, que está lendo este texto e já no primeiro parágrafo achava que eu estaria defendendo Habacuc, ou mesmo acredita que a sua liberdade de expresão deva ser respeitada, faça-me um favor: vá tomar no “cuc”.
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